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Preservando nossa maior morada

Atualizado: Mar 22

Cuidar do globo que é a nossa casa – o planeta Terra – também é atividade cristã e tarefa dos espíritas.


Por Felipe Rosa Mendes

Um é religião, filosofia e ciência. Outro é só ciência, que cuida do ecossistema e do meio ambiente. O que o Espiritismo poderia ter a ver com a Ecologia? Qual é a relação entre duas áreas de estudo aparentemente tão diferentes? Venha conhecer nesta edição a incrível proximidade entre a doutrina codificada por Allan Kardec e o estudo do meio ambiente. Afinal, ambos prezam pela nossa morada sagrada: o planeta Terra.

O Espiritismo e a Ecologia têm pontos em comum desde suas origens. Ambos surgiram em meados do século 19. A palavra ecologia, por exemplo, foi criada apenas nove anos depois de Kardec cunhar o nome da doutrina em “O Livro dos Espíritos”, lançado em 1857.


Ambos também têm por base uma visão sistêmica da realidade. Ou seja, encaram o mundo ao nosso redor como uma teia de diversas causas e efeitos que se entrelaçam e se influenciam. É o caso de uma floresta, em que cada ser vivo contido nela faz sua parte para a manutenção do equilíbrio da vida. No Espiritismo, esta teia poderia ser o emaranhado de acontecimentos entre pessoas da mesma família, em que um ato do passado pode trazer consequências para encarnações futuras de muitos espíritos.


“Esta visão sistêmica da realidade se revela de forma tão explícita nas duas ciências, que o que aparece em certas obras espíritas poderia perfeitamente embasar alguns postulados ecológicos”, explica o jornalista André Trigueiro, autor do livro “Espiritismo e Ecologia” (Editora FEB).


O maior exemplo está na obra “A Gênese”, de Kardec. “Assim, tudo no universo se liga, tudo se encadeia, tudo se acha submetido à grande e harmoniosa lei de unidade”, escreveu o codificador no livro publicado em 1868. “É assim que tudo serve, que se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo”, disse Kardec em outra obra, “O Livro dos Espíritos”, na questão 540.


Esta ideia de encadeamento atravessa os cinco Reinos da Natureza. Há expressão de vida da bactéria ao mineral, do pé de alface ao filhotinho de cachorro. Do ponto de vista espírita, cada reino é encarado como um degrau da longa escada evolutiva do ser espiritual. Portanto, cada forma de vida, ainda que microscópica, deve merecer o respeito e o cuidado do espírita.


“Fato é que espíritas e ecologistas têm motivos de sobra para defender a mesma causa: a proteção da biodiversidade. Se para o ecologista a expressão equilíbrio ecológico revela a capacidade de um ecossistema se manter perene por si mesmo (…), para os espíritas há que se reconhecer algo mais: a importância da ‘escada’ cujos degraus precisam suportar a evolução de outros que, como nós, têm o mesmo direito de existir e seguir em frente”, pondera Trigueiro.


Além disso, o equilíbrio do ecossistema da Terra deve ser respeitado por se tratar de uma das moradas do Pai. É a casa que Deus escolheu para abrigar alguns dos seus filhos. Desta forma, cuidar do planeta é uma demonstração de gratidão pela oportunidade de reencarnar aqui, e não em outro globo, que poderia estar em nível evolutivo inferior. Segundo o Espiritismo, a Terra está no segundo nível na classificação dos planetas, como local de provas e expiações. Está acima dos planetas primitivos e logo abaixo dos de regeneração, próximo estágio da evolução da nossa morada.


Em outras palavras, cuidar da Terra também é uma tarefa cristã e espírita, tanto quanto cuidar do corpo que recebe nosso espírito para as devidas encarnações neste planeta, no caminho individual de evolução moral, intelectual, emocional e psicológica.


FRASES DE EFEITO

Infelizmente, o cuidado com o ecossistema ainda não recebe a devida atenção dos espíritas. André Trigueiro culpa as famosas frases de efeito, repetidas com frequência dentro do Espiritismo, pela ainda baixa dedicação ao estudo e à prática da Ecologia nos centros espíritas.


“A verdadeira vida é a vida espiritual” é uma delas. “É forçoso admitir que muitos de nós usamos esta frase para legitimar o desinteresse, a desatenção, o completo desapego dos assuntos terrenos”, lamenta o jornalista.


Vivemos a vida espiritual aqui desde que encarnamos, lembra ele. E o “aqui e agora” são decisivos na nossa trajetória, porque será aqui que vamos tomar decisões e viver experiências que vão definir o nosso futuro, tanto no plano espiritual quanto no plano material, em uma outra encarnação. Por isso, é tão importante nos preocuparmos com os assuntos da matéria, tanto relacionados ao nosso corpo quanto ao nosso planeta.


Outra frase famosa é “eu estou aqui só de passagem”. Nossa trajetória no planeta pode ser transitória, mas nossos rastros, não. O legado material que deixamos, como uma empresa que fundamos ou um trabalho social que aqui iniciamos, também pode ser negativo se incorrermos em decisões impensadas, como o desperdício de recursos naturais no cotidiano. Podem gerar dívidas espirituais, segundo a lei de causa e efeito.


“Cabe a nós identificar quais ações podemos fazer, e de que jeito, para tornar este mundo um lugar melhor e mais justo. Portanto, mesmo de passagem, há que se cuidar melhor do mundo onde estagiamos em nossa jornada evolutiva”, esclarece o jornalista, que também é palestrante espírita e autor de outros livros sobre meio ambiente e sobre Espiritismo.


CONSUMISMO E SUSTENTABILIDADE

Há diversas formas de cuidar do planeta em nossas ações do dia a dia. É possível preservar os recursos da Terra ao controlar o consumo de água e de energia, por exemplo, ou canalizando água da chuva. A separação do lixo de casa, para a coleta seletiva e futura reciclagem, também é uma ótima forma de ajudar na preservação do planeta. Colabora-se com o globo ainda ao privilegiar toda forma de transporte público ou de locomoção mais ecológica.


André Trigueiro alerta que uma das melhores formas de ajudar o planeta é conter o consumismo. Na sua avaliação, o consumo exagerado de bens e produtos e a consequente produção de lixo são um dos maiores desafios ao desenvolvimento sustentável.


Esta preocupação também foi tratada por Kardec. Na questão 705 de “O Livro dos Espíritos”, o codificador pergunta: “Por que nem sempre a Terra produz bastante para fornecer ao homem o necessário? Resposta: É que, ingrato, o homem a despreza! Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes também acusa a natureza do que só é resultado de sua imperícia ou da sua imprevidência. A Terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é que ele emprega no supérfluo o que poderia ser aplicado no necessário.”


Para o estudioso do Espiritismo e da Ecologia, a sustentabilidade pode ser encarada como um novo valor espiritual, que será decisivo na preservação da Terra no processo de transição planetária de mundo de provas e expiações para o estágio de regeneração. Em outras palavras, cuidar da nossa morada será fundamental para subir nesta escala evolutiva dos planetas.


“Não há mágica no processo evolutivo: nós somos os construtores do mundo de regeneração e, se não corrigirmos o rumo na direção de uma sociedade sustentável, prorrogaremos situações de desconforto já amplamente diagnosticadas”, esclarece Trigueiro.


Repara a Natureza

A preocupação espírita com o meio ambiente é antiga, embora a prática ainda necessite de aperfeiçoamento e maior dedicação. No mesmo livro “Espiritismo e Ecologia”, o jornalista André Trigueiro publica mensagem inédita de Emmanuel, psicografada por Chico Xavier. A data do texto não é precisa, mas ele estima que a transmissão da mensagem tenha acontecido no ano de 1953.


Confira abaixo o texto na íntegra:

 “Repara a natureza que te cerca no mundo. Tudo é riqueza e esforço laborioso por assegurá-la. O solo ferido pelo arado é berço milagroso da produção. A árvore mil vezes dilacerada orgulha-se de sofrer e ajudar sempre mais. A fonte, superando os montões dos seixos, pouco a pouco se transforma em grande rio a caminho do mar.


Algumas sementes formam a base de preciosa floresta. Pedras agressivas se convertem nas obras-primas da estatuária, quando não vertem do seio a faiscante beleza do material de ouriversaria.


Animais humildes, padecendo e ajudando, garantem o conforto das criaturas contra a intempérie ou alimentam-lhes o corpo, sustentando-lhes a existência. A pobreza é simples apanágio do homem. Do homem enquanto se refugia, desassisado na furna da ignorância.


Somente a alma humana distanciada do conhecimento superior assemelha-se a um fantasma de angústia, de miséria, de lamentação.


Se podes, assim, observar o patrimônio das bênçãos celestiais, no caminho em que evoluis, procura o teu lugar de trabalho e serve infatigavelmente ao Bem, para que o Bem te ensine a ver a fortuna imperecível que o Pai te concedeu por sublime herança.


Serve aos semelhantes, ajuda a planta e socorre o animal. Seja a tua viagem por onde passes um cântico de auxílio e bondade, de harmonia e entendimento.


E, a medida que avançares na senda de elevação, encontrar-te-ás cada vez mais rico de amor, encerrando no próprio peito o tesouro intransferível da luz que te coroará de felicidade inextinguível nos cimos da glória eterna.”



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