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Eu sou um médium?

Atualizado: Mar 22

Somos todos médiuns? Quais são os tipos de mediunidade mais comum? Quais são as sensações? O que devo fazer para viver a mediunidade com segurança?

Por Viviane Ramos


Esta é uma das perguntas que mais se ouve numa casa espírita, uma dúvida que desperta curiosidade em alguns e receio em outros. Algumas pessoas têm percepções e sensações que não conseguem compreender, outros têm nos sonhos uma fonte de inspiração e, até mesmo, de vidência. Outros conseguem ver ou escutar claramente os fenômenos que ocorrem no plano espiritual. Muitas são as facetas do fenômeno mediúnico e neste artigo vamos refletir sobre este assunto tão inerente ao Espiritismo, mas que ainda nos traz inúmeras dúvidas e anseios.


Inicialmente, vale a pena destacar a forma como Allan Kardec conceitua os médiuns no item 159 de “O Livro dos Médiuns”: “Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos espíritos é, por esse fato, médium. Esta faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns.”

A mediunidade, portanto, é o contato com o plano espiritual, que também é um criação divina, assim como o plano material, em que vivemos. O espiritual, porém, apresenta uma vibração especial, mais sutil em comparação aos que estamos acostumados a sentir na material. Conforme afirmou Léon Denis, um dos pioneiros do Espiritismo, “todas as manifestações da natureza e da vida se resumem a vibrações, mais ou menos rápidas e extensas, conforme as causas que as produzem”. Apesar da sutileza das vibrações do plano espiritual, quase todos nós as percebemos, em maior ou menor grau. Em outras palavras, podemos considerar que todos somos médiuns em alguma medida.


A intensidade com que cada um de nós sente a influência do plano espiritual pode variar praticamente ao infinito. Para facilitar nosso entendimento, podemos utilizar a definição que o Projeto Manoel Philomeno de Miranda utiliza em sua obra “Vivência Mediúnica”, que divide os médiuns em dois grandes grupos: os médiuns ostensivos e os médiuns discretos. Segundo os autores, “o que caracteriza a mediunidade ostensiva é o transe, um estado alterado de consciência que determina a expansão do campo perispiritual do médium e a sua imantação ao do Espírito, estabelecendo-se uma comunicação direta”. Este tipo de mediunidade ficou famosa com Chico Xavier. Já a mediunidade discreta se revela no campo da inspiração, quando os pensamentos do médium se confundem e se mesclam com os pensamentos dos espíritos.


A grande massa da humanidade se encontra nesta segunda posição, recebendo a influência da Espiritualidade no seu dia a dia, mas sem perceber esta ação claramente. Este grande grupo, cuja mediunidade se encontra temporariamente adormecida, possui um potencial vibratório enorme, desde que suas energias sejam canalizadas positivamente.

A faculdade mediúnica pode, portanto, se revelar de diferentes formas e Kardec classifica as principais delas em oito categorias: médiuns de efeitos físicos; médiuns sensitivos ou impressionáveis; audientes; videntes; sonambúlicos; curadores; pneumatógrafos e escreventes ou psicógrafos. (leia mais nos capítulos 13, 14 e 15 de “O Livro dos Médiuns”)

Dentre eles, vale ressaltar a categoria dos médiuns sensitivos, que são aqueles que percebem a presença dos espíritos desencarnados de uma forma vaga, como uma sensação que não podem explicar e, por isso, Kardec considera essa categoria mais como uma qualidade geral do que especial, já que todos os médiuns são necessariamente impressionáveis. Essa faculdade pode se desenvolver a ponto do médium identificar a natureza boa ou má do espírito desencarnado e até mesmo sua individualidade, como se fosse um cheiro característico.


Os médiuns escreventes ou psicógrafos, por sua vez, são considerados por Kardec os que efetuam a comunicação de forma mais completa, pois conseguem estabelecer com os espíritos uma relação continuada e regular que pode resultar, por exemplo, em inúmeras obras espíritas como as que conhecemos atualmente.


Quais sensações têm um médium e como eu percebo isso em mim?

O médium está sujeito a grande movimentação energética quando está em contato com o plano spiritual. Portanto, é natural que ocorram as mais diversas sensações e sintomas. Isso ocorre porque existe um processo de doação e recebimento de energias que influencia seus centros de força e, portanto, causa sensações físicas.


São sintomas comuns: bocejos, choques, arrepios, lacrimejamento, calor das orelhas e face, tonteiras, enjoos, dormência, rigidez muscular, taquicardia, tremores, movimentos involuntários, perda do controle de membros ou corpo inteiro, pressão ou formigamento na testa ou nuca, sonolências ou entorpecimento, zumbido ou ruídos dentro da cabeça, pulsação de mãos, pés, cabeça ou corpo todo, pressão no peito, estômago, etc.


A intensidade destas sensações varia em função principalmente do grau de ostensividade mediúnica de cada um e do nível de educação mediúnica e autoconhecimento. Vale ressaltar que estas sensações e sintomas não são pré-requisito da mediunidade. Tampouco definem se o médium é ou não ostensivo. É perfeitamente possível, portanto, que um médium não sinta nenhum desses sintomas, sinta apenas alguns ou, até mesmo, todos. Cada indivíduo vivencia a mediunidade de forma única. A orientação de uma casa espírita é o melhor caminho para quem tem dúvidas quanto a sua capacidade mediúnica. Num local adequado, como o centro espírita, o indivíduo terá acesso a orientações e cursos para identificar e educar a sua mediunidade.


O médium sabe distinguir encarnados e desencarnados?

Kardec nos ensina que a substância do perispírito é extremamente sutil, é a matéria em seu estado mais essencial. Vale lembrar aqui que o perispírito é a embalagem do espírito e tem características mais materiais, ao contrário do próprio espírito, que não tem forma e nem matéria. Em condições de normalidade, o médium consegue distinguir os espíritos encarnados dos desencarnados, já que suas características fluídicas e vibratórias são totalmente diferentes.


Há, porém, uma exceção. Trata-se dos casos de materialização do espírito desencarnado. Neste fenômeno, há a chamada corporificação, o que permite ao espírito ser visto, sentido e até tocado por todos, e não somente por aqueles que possuem mediunidade ostensiva. Nesta situação fica mais difícil fazer a distinção entre encarnados e desencarnados. De qualquer forma, podemos afirmar que as materializações são fenômenos bastante raros nos dias de hoje.


O médium pode ser tachado de louco?

León Denis diz que “o médium é um ser nervoso, sensível, impressionável; tem necessidade de sentir-se envolto numa atmosfera de calma, de paz e benevolência, que só a presença dos espíritos adiantados pode criar. A prolongada ação fluídica dos espíritos inferiores pode ser funesta, arruinar-lhes a saúde, provocando os fenômenos de obsessão, possessão e, até mesmo, levando-os a loucura”.


A busca pelo crescimento moral e o elevado padrão vibratório são características essenciais do médium para que a prática mediúnica ocorra de forma segura e equilibrada. Além disso, o ambiente em que se desenvolve o exercício mediúnico e os objetivos buscados pelo grupo também constituem fatores importantíssimos para que não ocorram situações de desequilíbrio.


Encontrar um centro espírita sério, pautado nas práticas do amor e da caridade e nos ensinamentos de Jesus é, portanto, fator fundamental para a segurança do médium que busca desenvolver suas habilidades em harmonia com a espiritualidade elevada.

Qualidades Morais dos Médiuns

A mediunidade é um importante instrumento de evolução para os espíritos encarnados porque o médium que se predispõe a servir como intermediário da Espiritualidade deve procurar elevar ao máximo o seu padrão vibratório, sob pena de se deixar envolver por companhias espirituais inferiores. Portanto, de forma a encontrar sintonia com os espíritos nobres e benfeitores, o médium deve praticar o exercício constante do amor ao próximo, manter uma postura equilibrada perante a vida e buscar incessantemente o aprimoramento moral. O contato com benfeitores é necessário porque são eles que dão sustentação ao médium para prosseguir na caminhada evolutiva Martins Peralva alerta: “uma mente invigilante atrairá entidades infelizes, vampirizadoras, porque certos espíritos profundamente materializados, arraigados, ainda, às paixões inferiores, nutrem-se, alimentam-se dessas substâncias produzidas pela mente irresponsável ou deseducada. Ser médium é algo de sublime, determinando tacitamente o imperativo da realização interior, a necessidade de o indivíduo conquistar a si mesmo pela superação das qualidades negativas”.


Existe uma longa caminhada entre os primeiros sinais da mediunidade e seu pleno desenvolvimento, daí a importância do estudo e do constante exercício das faculdades mediúnicas. Segundo Allan Kardec, devem ser trabalhadas duas frentes diferentes: a Doutrina Espírita, com seus princípios, conceitos e sua relação com outras áreas do conhecimento; e a psicologia do comportamento humano.


O esforço do estudo aliado à evolução moral criam gradativamente as condições necessárias para que o elo entre o espírito encarnado e o desencarnado se fortaleça. Sobre esta delicada relação, León Denis afirma em sua obra “No Invisível” que os espíritos superiores começam um trabalho de adaptação dos seus fluidos aos do médium e “à medida que se estabelece a harmonia das vibrações, a comunicação se acentua sob formas apropriadas às aptidões do sensitivo: audição, visão, escrita”.



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